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Um olhar cuidadoso para a infância
A Criança e a Escola
 
• Palavra da Coordenadora •
Gabriela Medeiros Valente de Lima
Um olhar cuidadoso para a infância

O universo infantil requer um olhar cuidadoso, pois os “pequenos” de hoje são quem futuramente estarão à frente das tomadas de decisões do mundo.

Os primeiros cinco anos de vida, são os mais importantes para a estruturação da personalidade, esta que tem como ponto de partida a imitação. Ao copiar, a criança começa a lançar hipóteses sobre a sua própria forma de viver; daí a importância das referências positivas. Os responsáveis devem adotar uma linha de pensamento coerente e equilibrada quanto ao planejamento da educação que se pretende oferecer aos filhos, assumindo a mesma diretriz nas intervenções, pois desta forma a criança não receberá orientações e estímulos divergentes, o que facilita o processo de compreensão e incorporação de valores éticos e morais.

A auto-estima começa a ser desenvolvida desde o período sensório motor. O bebê, ainda muito concreto, é diretamente ligado aos mimos recebidos durante esta fase, e por isso ainda associa os gestos e expressões a sentimentos como: “Eu te amo e Eu não te amo”, pois não compreende que um ato de desaprovação dos pais, significa amor. A sua auto-estima positiva é construída a partir dos olhares e intervenções dos adultos assim como do conceito que a criança constrói de si mesma, resultado do espaço que lhe é reservado no seio familiar e da sua aprovação neste contexto. As crianças apesar de não compreenderem seus próprios sentimentos e por isso não conseguirem expressá-los de forma clara, informa aos adultos suas angustias e sentimentos através de mudanças de comportamento, alterações no estado emocional, somatizações etc. Com a auto-estima elevada, a criança passa a ter mais estímulo para realizar tarefas e solucionar questões, e os pais teem papel fundamental nesse trabalho, uma vez que os mesmos contribuem na formação da auto-imagem que a criança constrói de si mesma Educar frente a situações como: “Meu filho caiu, e agora?”, “Meu filho brigou na escola”, “Briga entre irmãos”, “Escândalos em lugares públicos” etc, pede reflexão sobre cidadania, direitos, deveres, limites, valores tão importantes para a convivência em sociedade. Em alguns momentos, é preciso tropeçar e cair, para levantar e seguir em frente, se em uma situação como esta, os pais se desequilibram, é natural que futuramente tenhamos um adulto que não suporte frustrações e sem autonomia para repensar suas atitudes.

Educar não é permitir que a criança faça o que tiver vontade ou usar da rigidez para impor limites ao ponto de interferir na formação da auto-estima da mesma, nem tampouco anulá-la a ponto de fazer tudo por ela. Os pais precisam dar limites no sentido de: largar sem abandonar e segurar sem prender. Educar é dizer sim e não nas horas adequadas. Segundo Tiba, 2002. “O sim só tem sentido para quem conhece o não.” Esse tipo de conduta permite à criança aprender a resolver conflitos com autonomia.

Uma criança que não tem limites, provavelmente os pais são permissivos demais ou se utilizam de excesso de autoridade. Na grande maioria dos casos, é muito mais difícil para os pais dizer “não” do que para os filhos o receberem, principalmente quando os pais trabalham fora de casa e por conseqüência o tempo de convivência entre os dois fica restrito, portanto é natural que alguns pais prefiram utilizar o tempo disponível com as crianças, para atender a todos os seus desejos, suprimindo noções de certo e errado, pode ou não pode etc. o que provoca conflitos como: pai com sentimento de culpa pela ausência, filho com sentimento de poder sobre as situações.

O amor acima de tudo deve ser presença, mas nem sempre presença significa qualidade, o amor e os limites são inseparáveis. Quando se fala em limite e autoridade, é comum que algumas pessoas associem a gritos e palmadas, o que é totalmente diferente, a palmada emite uma mensagem de que não existe outra forma de solucionar conflitos (que só é possível agir com agressividade), o que é muito perigoso, pois a criança absorve tal modelo de solução de problemas e pode tornar-se um adolescente agressivo. Quando me refiro a limites e autoridade, falo em trabalhar regras de convivência, sem bater nem xingar, mas através de intervenções firmes, coerentes e conscientes dos direitos e deveres.

A psicoterapia infantil contribui para a educação das crianças, tendo, como base técnicas lúdicas, que objetivam trabalhar a integração da pessoa consigo mesma ao seu meio; visa tornar saudável a relação com o próprio EU e com o outro, e através da psicologia do Self, viabiliza a elaboração de conflitos, dificuldades e a compreensão da própria existência.

Gabriela Valente de Lima

• Psicóloga Clínica - Crianças, Adolescentes e Adultos CRP 15/2955
• Ludoterapeuta
• Especialista em Coordenação e Supervisão Escolar
• Pós-graduanda em Neuropsicologia
• Grupo de Estudos em Psicanálise
• Capacitação em Psicopatologia Clínica
• Capacitação em Psicologia Hospitalar Infantil
Gabriela Medeiros Valente de Lima Psicóloga - CRP 15/2955
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